Glossário
Pinot Noir (uva)

O Pinot Noir é talvez a casta tinta mais fascinante, desafiadora e reverenciada do mundo. Sua origem remonta à Borgonha, na França, onde é cultivado há mais de dois milênios, e seu nome deriva do francês "pin" (pinheiro), aludindo ao formato cônico e compacto dos seus cachos. É uma das castas mais antigas geneticamente, pertencente ao grupo das variedades europeias primitivas, e sua estrutura genética instável — com altíssima tendência à mutação clonal — é responsável pela enorme diversidade de perfis que pode expressar conforme o terroir, o clone e a mão do vinicultor. Essa mesma instabilidade torna o Pinot Noir notoriamente difícil de cultivar: é sensível a doenças fúngicas, geadas, calor excessivo e produções elevadas.
O Pinot Noir é talvez a casta tinta mais fascinante, desafiadora e reverenciada do mundo. Sua origem remonta à Borgonha, na França, onde é cultivado há mais de dois milênios, e seu nome deriva do francês "pin" (pinheiro), aludindo ao formato cônico e compacto dos seus cachos. É uma das castas mais antigas geneticamente, pertencente ao grupo das variedades europeias primitivas, e sua estrutura genética instável — com altíssima tendência à mutação clonal — é responsável pela enorme diversidade de perfis que pode expressar conforme o terroir, o clone e a mão do vinicultor. Essa mesma instabilidade torna o Pinot Noir notoriamente difícil de cultivar: é sensível a doenças fúngicas, geadas, calor excessivo e produções elevadas.
O perfil sensorial do Pinot Noir é inconfundível em seus grandes exemplares: cor rubi translúcida (nunca opaca), aromas sedutores de cereja fresca, framboesa, morango, violeta, rosas e, com o envelhecimento, notas de couro, terra molhada, cogumelo, especiarias e o mítico "sous-bois" (chão de floresta). Os taninos são finos e sedosos, raramente agressivos; a acidez é vibrante e estruturante; o corpo tende ao médio, mas a complexidade aromática compensa qualquer impressão de leveza. Essa combinação de delicadeza e profundidade é o que torna os Grand Cru da Borgonha — Romanée-Conti, Chambertin, Musigny — alguns dos vinhos mais caros e buscados do planeta.
Além da Borgonha, o Pinot Noir produziu expressões notáveis em Champagne (onde é um dos três cépages tradicionais), na Alsácia, na Alemanha (Spätburgunder), na Nova Zelândia (especialmente Marlborough e Central Otago), no Oregon (Willamette Valley), na Califórnia (Sonoma Coast, Santa Barbara), na África do Sul e, em versões promissoras, no Brasil (Serra Gaúcha e Planalto Catarinense). Na harmonização, é a casta tinta mais versátil à mesa: vai com salmão grelhado, aves (especialmente pato e ganso), coelho, cogumelos, trufas, queijos de pasta mole e semi-curados, risoto de funghi e pratos de origem borgonhesa como bœuf bourguignon.